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All Good Things... (Star Trek: The Next Generation)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
"All Good Things..."
25.º & 26.º episódios da 7.ª temporada de
Star Trek: The Next Generation
A cena final da série: Picard se juntando ao jogo de pôquer dos oficiais pela primeira vez
Informação geral
DireçãoWinrich Kolbe
Escrito porBrannon Braga
Ronald D. Moore
MúsicaDennis McCarthy
CinematografiaJonathan West
EdiçãoDaryl Baskin
David Ramirez
Exibição original23 de maio de 1994 (1994-05-23)
Duração105 minutos
Convidados
Cronologia
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Star Trek: The Next Generation (7.ª temporada)
Lista de episódios

"All Good Things..." é o episódio final da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. Foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 23 de maio de 1994, tendo sido dirigido por Winrich Kolbe e escrito por Brannon Braga e Ronald D. Moore. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o capitão Jean-Luc Picard começa a ir e voltar no tempo entre seu presente, passado e futuro, todas as vezes encontrando uma estranha anomalia que ameaça extinguir a espécie humana.

A produção do episódio ocorreu sob grandes restrições de tempo e enorme estresse para elenco e equipe. Braga e Moore tiveram apenas três semanas para desenvolverem toda a história e precisaram reescrever o roteiro mais de uma vez. A limitação de tempo também forçou a realização de reuniões de pré-produção sem uma história finalizada. Cenários e maquiagens foram modificados ou criados para os diferentes períodos temporais retratados no enredo, com cuidado especial para recriar o visual da Enterprise visto no episódio piloto "Encounter at Farpoint". As filmagens ocorreram entre março e abril de 1994.

"All Good Things..." teve a melhor audiência das sete temporadas de The Next Generation, sendo o programa mais assistido nos Estados Unidos em duas dezenas de mercados. Uma romantização foi escrita por Michael Jan Friedman e publicada pela Pocket Books para coincidir com a exibição. O episódio foi aclamado pela crítica especializada, sendo considerado um excelente final para a série. Foi indicado a quatro Prêmios Emmy do Primetime, vencendo um, além de também vencer o Prêmio Hugo de Melhor Apresentação Dramática. "All Good Things..." foi disponibilizado em mídia caseira em diferentes formatos.

O capitão Jean-Luc Picard está se movendo pelo tempo entre o presente; sete anos no passado, quando assumiu o comando da USS Enterprise antes de sua primeira missão; e 25 anos no futuro, quando está aposentado e vivendo no vinhedo de sua família na França. No presente, ele leva a nave para a extremidade da Zona Neutra Romulana para investigar uma anomalia espacial. No futuro, ele consegue convencer sua ex-esposa, a capitão Beverly Picard, a levá-lo para a área da anomalia a bordo da nave científica USS Pasteur. No passado, a Frota Estelar cancela a missão da Enterprise para que em vez disso vá investigar a anomalia, mas Picard prossegue para poder se encontrar com o ser onipotente Q. Este leva Picard para seu tribunal e revela que o julgamento da humanidade nunca terminou, com a situação atual sendo a última chance da espécie de provar seu valor. Q revela ser o responsável pelas mudanças temporais de Picard e o desafia a solucionar o mistério da anomalia.[1]

Picard alcança a anomalia nos três períodos e descobre que ela é maior no passado, porém não existe no futuro. As Enterprise do passado e presente escaneiam a anomalia com um pulso, mas a Pasteur é atacada e destruída por naves klingons. Sua tripulação é salva na última hora pela chegada da Enterprise sob o comando do almirante William Riker. Q leva Picard para a Terra de 3,5 bilhões de anos no passado, quando a anomalia é grande o bastante para englobar todo quadrante alfa da galáxia e desta forma impedir o surgimento de vida na Terra. A anomalia aparece no futuro e Picard descobre que ela foi criada por sua ações, sendo mantida por pulsos emitidos pelas naves nos três períodos temporais. É determinado que a anomalia e uma ruptura do tempo e anti-tempo que só pode ser fechada caso as três Enterprise entrem nela e criem campos estáticos por tempo suficiente. Picard leva as três naves para dentro e uma a uma elas são destruídas por danos catastróficos, com a Enterprise do futuro sendo a última a explodir.[1]

Picard retorna para o tribunal de Q e este o parabeniza por conseguir pensar simultaneamente em três linhas do tempo para solucionar o problema, prova de que a humanidade pode evoluir mais. Q admite tê-lo ajudado com os saltos temporais, já que foi o próprio que colocou a humanidade nessa situação, explicando que a anomalia foi fechada no passado e o presente restaurado. Picard retorna para a Enterprise no presente e descobre que tudo está como estava antes. Os oficiais depois se juntam para seu jogo de pôquer tradicional e refletem sobre o futuro contado por Picard. Este decide participar do jogo pela primeira vez e expressa arrependimento de nunca ter feito isso antes.[1]

Produção

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Antecedentes

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A decisão de encerrar Star Trek: The Next Generation na sétima temporada, quando a série estava no auge de sua popularidade, foi tomada pela Paramount Pictures por questões financeiras.[2] Primeiro, como a série era transmitida diretamente por redifusão, havia preocupações de que o grande número de episódios disponíveis saturasse o mercado e fizesse com que emissoras pelo país deixassem de comprar episódios novos.[3] Em paralelo, os custos de produção da série estavam aumentando, especialmente depois de elenco e equipe terem renegociado seus contratos depois do fim da sexta temporada, diminuindo a margem de lucros do estúdio. Havia também o desejo de transferir o elenco de The Next Generation para a franquia cinematográfica e criar uma nova série de televisão, ambas opções que poderiam ser mais baratas do que uma nova temporada.[4]

A equipe de roteiristas originalmente esperava que o episódio final da série fosse escrito pelo produtor executivo Michael Piller,[5] porém ele na época estava ocupado com a produção da segunda temporada de Star Trek: Deep Space Nine e também no desenvolvimento da série de televisão que se tornaria Star Trek: Voyager.[5][6] Jeri Taylor, a outra produtora executiva de The Next Generation, também estava ocupada desenvolvendo Voyager.[6] A tarefa de escrever o episódio final foi assim passada para os roteiristas Brannon Braga e Ronald D. Moore. Os dois na época também estavam escrevendo o roteiro de Star Trek Generations, o filme que sucederia a série no cinema, forçando-os a trabalhar nas duas histórias ao mesmo tempo.[5][6] A decisão de que o último episódio tivesse duas horas de duração foi tomada pela Paramount em dezembro de 1993.[7]

"All Good Things..." foi escrito por Brannon Braga (esquerda) e Ronald D. Moore (direita)

Braga e Moore não puderam começar a escrever imediatamente porque antes precisavam completar seus comprometimentos com outros episódios: "Genesis" para Braga e "Journey's End" para Moore.[7] Além disso, a pré-produção foi marcada para começar antes do penúltimo episódio,[8] deixando aos dois apenas seis dias para criarem um primeiro rascunho da história quando o ideal teria sido um mês.[7] Eles começaram a escrever nove dias antes do início da pré-produção[9] e o processo de escrita foi complicado, com Braga afirmando que "Tudo que poderia dar errado deu errado". Eles precisaram reformular a história três vezes e reescrever o roteiro duas vezes, também tendo existido dificuldades para que elementos fossem aprovados. Para piorar, os dois tiveram um problema em seu computador e perderam um ato inteiro, enquanto Braga ficou com uma síndrome do túnel cárpico nos dedos de tanto digitar.[7] Os roteiristas no total tiveram três semanas para escreverem o roteiro.[6]

Moore originalmente propôs que o ser onipotente Q deveria estar envolvido na história e que o julgamento da humanidade do episódio piloto "Encounter at Farpoint" deveria ser revisitado.[7][8] Braga, por sua vez, tinha antes proposto uma ideia para um episódio comum em que Alexander Rozhenko, filho do tenente Worf, sofreria um salto temporal de 25 anos e assumiria o lugar do seu eu do futuro, retornando então para o passado. Piller gostou das duas propostas e sugeriu que elas poderiam ser combinadas para formar o episódio final, com os roteiristas colocando o capitão Jean-Luc Picard como aquele que se moveria pelo tempo e envolvendo Q nessas mudanças.[8] Com isto definido, Piller estabeleceu em um memorando de 7 de fevereiro de 1994 dois temas que deveriam ser abordados: a ideia de "família" nos períodos temporais visitados, um símbolo do "elenco, equipe, fãs e equipe de roteiristas ... todas as famílias de Star Trek: The Next Generation", bem como a preciosidade de cada momento da vida.[7]

O episódio inicialmente teria Picard visitando quatro períodos temporais diferentes, com o quarto sendo sua assimilação pelos Borg em "The Best of Both Worlds". Neste período, Picard teria a ajuda de Hugh, o Borg, do episódio "I, Borg".[8] Braga e Moore adicionaram esse enredo porque achavam que a ameaça da anomalia era algo muito abstrato e porque queriam trazer os Borg de volta, mas depois acharam que seria história demais para o episódio e assim este elemento foi cortado.[8] O primeiro rascunho foi bem recebido pelo elenco e equipe, mas não por Piller, que achou que a segunda parte não tinha uma boa narrativa e precisava ser reescrita. Isto levou à eliminação de vários momentos entre personagens e também uma sequência em que a tripulação roubaria a USS Enterprise no futuro,[10] uma homenagem ao filme Star Trek III: The Search for Spock.[11] Estas mudanças deixaram o elenco insatisfeito, com o ator Patrick Stewart chamando uma reunião em um fim de semana que fez com que várias cenas fossem restauradas.[12]

A inclusão dos personagens da tenente Tasha Yar e do chefe Miles O'Brien no período do passado ocorreu para conectar a história com esse período temporal. O produtor executivo Rick Berman exigiu que, apesar da história mostrar o futuro dos personagens, este futuro teria que ser descartado ao final do episódio para manter as opções abertas para os futuros filmes da franquia. Isto permitiu que os roteiristas alterassem elementos da história dos personagens e, segundo Moore, "brincar com as expectativas do público". Isto incluiu realizar o desejo dos fãs de que Picard e a doutora Beverly Crusher ficassem juntos como um casal, porém separando-os com um divórcio.[13] O título "All Good Things..." veio da frase "tudo que é bom precisa acabar", que Moore achou que refletia as experiências dos dois roteiristas trabalhando em The Next Generation. Braga e Moore continuaram escrevendo o roteiro de Generations durante todo o processo de escrita do episódio final, o que muitas vezes criou confusões sobre qual história estavam trabalhando.[5]

Direção de arte

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As dificuldades de desenvolvimento da história impediram que reuniões de pré-produção acontecessem com um roteiro completo. Segundo o diretor Winrich Kolbe, "Sempre era 'Bem, temos a Parte I e um esboço para a Parte II, nós temos a Parte II e um esboço para a Parte I, temos tudo menos o Ato 10 ... foi difícil'". Ele também comentou que achou que o episódio não estava recebendo a prioridade devida por conta de distrações, pois os atores estavam negociando seus contratos para Generations, havia ansiedade destes porque precisariam procurar novos empregos e também por conta de uma revisão do cronograma de filmagens para acomodar a atriz Gates McFadden, intérprete da doutora Beverly Crusher, que iria filmar o episódio piloto de outra série no Oregon. Este último fator forçou a adição de um décimo sétimo dia de filmagens por insistência de Kolbe.[10]

O maior desafio da equipe de produção foi recriar o visual da Enterprise visto em "Encounter at Farpoint", algo dificultado porque elementos dos cenários dessa época já tinham sido jogados fora.[9] O orçamento para a equipe foi de 281 mil dólares para preparar ou modificar 31 cenários para as diferentes mudanças temporais, incluindo a construção de quatro cenários novos, forçando a equipe do chefe de construção Al Smutko a trabalhar por quatro fins de semana consecutivos para deixar tudo pronto.[14] A construção do cenário do tribunal de Q tinha sido bastante complicada e demorada para "Encounter at Farpoint", porém para "All Good Things..." ela foi simplificada.[9] As cadeiras inclinadas dos postos de operação e leme na ponte de comando foram recriadas para o passado, enquanto para o futuro elementos usados no episódio "Parallells" foram reciclados. As miniaturas de naves que ficavam no cenário do salão de observação tinham sido removidas pelo diretor de arte Richard D. James, mas foram restauradas para este episódio.[14]

As maquiagens dos personagens envelhecidos foram criadas pelo supervisor de maquiagem Michael Westmore, que lamentou não ter tido mais tempo disponível para poder experimentar com os vários efeitos.[14] Foi decidido manter a maquiagem da sétima temporada para o Worf do passado em vez de recriar a maquiagem previamente usada durante a primeira temporada,[9] porém o ator Michael Dorn usou sua antiga peruca dessa época,[15] já a maquiagem da pele da Crusher envelhecida era bastante frágil e precisava ser refeita do zero pelo menos uma vez por dia.[16] Para que o ator Jonathan Frakes, intérprete do comandante William Riker, não precisasse se barbear para as cenas do passado, os roteiristas excluíram o personagem desse período temporal e a equipe de edição usou uma cena do episódio "The Arsenal of Freedom" para explicar sua ausência. Os penteados das atrizes Marina Sirtis e Denise Crosby, intérpretes de Deanna Troi e Tasha Yar, foram levemente modificados em relação à aparência na primeira temporada.[15]

Filmagens

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Kolbe dirigindo Stewart e de Lancie nas filmagens de "All Good Things..."

Aumentando a tensão da produção foi o fato de que equipes jornalísticas de vários meios de comunicação estavam constantemente visitando as filmagens. Além disso, havia um sentimento geral de fadiga por ser o fim da temporada, o que deixou muitos membros da equipe e elenco com temperamento curto.[12] Stewart chegou até a gritar com uma equipe da Entertainment Weekly,[17] que estava filmando seus ensaios, algo que ele não gostava. O ator estava especialmente estressado por ter passado suas férias de Natal fazendo uma peça em Londres, por ter dirigido o penúltimo episódio "Preemptive Strike" e por aparecer em praticamente todas as cenas de "All Good Things...".[12] LeVar Burton, intérprete do tenente-comandante Geordi La Forge, definiu o clima das filmagens dizendo que "Somos uma família em crise. Este é o final de sete anos de experiência compartilhada. Você não consegue terminar algo como isto sem provocar as pessoas. Isso vai despertar emoções fortes, e cada um vai lidar com a situação de uma maneira diferente".[17]

O elenco convidado teve o retorno de vários atores que já tinham aparecido antes na série. Crosby retornou como Yar, personagem que tinha interpretado como parte do elenco principal na primeira temporada.[18] Colm Meaney apareceu como o chefe Miles O'Brien, tendo feito sua participação nos intervalos de filmagem de Deep Space Nine, da qual tinha se tornado membro do elenco principal.[19] Além deles, Patti Yasutake apareceu como enfermeira Alyssa Ogawa, Clyde Kusatsu reapareceu como almirante Nakamura e Andreas Katsulas retornou como o comandante romulano Tomalak, sua primeira aparição na série desde "Future Imperfect" da quarta temporada. Outros membros do elenco convidado foram Pamela Kosh como a governanta Jessel, Tim Kelleher como alferes Gaines, Alison Brooks como alferes Chilton e Stephen Matthew Garvin como um alferes não nomeado.[18] Por fim, John de Lancie reprisou seu papel regular de Q; o ator chegou a pedir para Berman para aparecer no episódio, sendo então informado que seu personagem já iria fazer parte da história "você gostando ou não".[20]

"All Good Things..." foi o décimo sexto episódio de The Next Generation dirigido por Kolbe.[7] As cenas no vinhedo de Picard foram filmadas perto de Temecula porque a locação em Lancaster usada antes no episódio "Family" estava fora de temporada.[14] A última cena que todo o elenco principal filmou junto foi justamente a última cena do episódio, quando Picard se junta ao jogo de pôquer dos oficiais pela primeira vez. Esta cena foi filmada no dia 31 de março de 1994,[21] com Braga descrevendo o clima desse momento como "agridoce", pois "Mesmo sabendo que um filme estava para ser feito, nunca mais seria a mesma coisa"; Sirtis chegou a chorar durante o processo.[5] As filmagens desta cena foram um tanto atrapalhadas e retardadas porque vários executivos da Paramount visitaram o cenário. A último dia de filmagem de The Next Generation foi 5 de abril, quando foram filmadas as cenas da Terra de bilhões de anos no passado no Estúdio 18 de Deep Space Nine e a cena de entrada de Q no tribunal no Estúdio 16. Para esta última, foram necessárias onze tomadas, complicadas pelo fato da equipe precisar manejar simultaneamente a grua da câmera e também a grua em que de Lancie estava.[12]

Repercussão

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Transmissão

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"All Good Things..." foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão na semana de 23 de maio de 1994.[7] A expectativa para o episódio era tão alta que o preço para uma publicidade comercial nos intervalos foi estimado em setecentos mil dólares; por comparação, o preço de um comercial em um episódio normal da quinta temporada foi de cem mil dólares, com o preço mais alto até então tendo sido duzentos mil nos intervalos do episódio em duas partes "Unification", também da quinta temporada.[22]

O episódio registrou uma audiência no índice Nielsen de 17,4, refletindo a porcentagem de residências que assistiram o programa na estreia.[23] Teve uma participação de 26 pontos em 36 mercados medidos pela Nielsen, ficando em primeiro lugar como o programa mais assistido em 21 de 31 mercados. Segundo o departamento de pesquisa da Paramount, o episódio teve um desempenho melhor que outros programas de horário nobre de emissoras abertas em treze de dezenove mercados, incluindo Nova Iorque, Los Angeles, Miami e Boston.[2] "All Good Things..." superou "Encounter at Farpoint" como a maior audiência de todas as sete temporadas de The Next Generation.[23][24][25][26]

Uma romantização de "All Good Things..." foi escrita Michael Jan Friedman e publicada pela Pocket Books para coincidir com a exibição do episódio, tendo sido um de cinco episódios de The Next Generation adaptados como livro. Friedman teve apenas duas semanas para finalizar seu manuscrito e se baseou em um rascunho inicial do roteiro. Ele incluiu cenas envolvendo outros personagens da série, como Wesley Crusher e a doutora Katherine Pulaski, para chegar no número de palavras suficientes para justificar a publicação em uma edição de capa dura.[27] Uma adaptação em quadrinhos também foi escrita por Friedman e ilustrada por Jay Scott Pike e Jose Marzan Jr..[18]

Keith R. A. DeCandido da Reactor achou que "All Good Things..." era o "final perfeito" para The Next Generation, dando destaque para todos os personagens, demonstrando os talentos do elenco, mostrando a visão de Gene Roddenberry da humanidade e trazendo de volta Q, quem ele considera o melhor antagonista da série. DeCandido elogiou especialmente as atuações de Stewart e Brent Spiner, o primeiro por sua performance como o Picard envelhecido e sofrendo de uma doença degenerativa, e o segundo por interpretar três versões diferentes de Data que são claramente diferentes umas das outras. Em resumo, DeCandido escreveu que "Claro, a baboseira tecnológica é praticamente um disparate, o teste é patentemente ridículo e não prova muita coisa, mas quem se importa? É o final perfeito para a série, e é isso que é importante".[18]

Jamahl Epsicokhan afirmou que "é algo meio estranho e milagroso ... que 'All Good Things...' de alguma forma conseguiu não apenas funcionar, mas ser o melhor final de série de Star Trek já feito". Ele elogiou o modo como os temas da história foram abordados e também a integração de seus vários elementos, como os saltos temporais, a representação dos personagens nos diferentes períodos visitados, os detalhes direcionados especificamente para os fãs, a direção de Kolbe, a montagem e as atuações, especialmente de Stewart e de Lancie. Epsicokhan comentou no fim que o episódio "consegue unir o enredo, os personagens e a ação da história em um entretenimento bem-sucedido que representa um bom equilíbrio da essência de [The Next Generation]", considerando que "All Good Things..." era simplesmente o "final certo para a série".[28]

Zack Handlen da The A.V. Club considerou o episódio um "pequeno milagre", comentando que apesar de não ser o melhor episódio de The Next Generation, ele se beneficiava enormemente por ser o último da série. Handlen achou que o enredo tinha buracos, que a ficção científica da história não funcionava totalmente e que o mistério era decepcionante. Entretanto, ele afirmou que a execução mais do que compensava esses problemas, elogiando a atuação de Stewart, o fato do episódio não destacar excessivamente sua própria importância, a cena final do jogo de pôquer e a inclusão de Q, este último "a melhor escolha que os roteiristas fizeram". Handlen considerou que o tema levantado por Q de que a humanidade precisa considerar o tempo diferentemente, como algo que tudo e todos não existem em isolamento, como uma ideia "fascinante".[29]

Salvador Nogueira da Trek Brasilis comentou que o episódio "se aproxima da perfeição ao realizar a difícil tarefa de fechar a jornada de A Nova Geração de forma significativa e ao mesmo tempo manter tudo em seu lugar, para novas aventuras no cinema". Ele considerou que a trama era envolvente e trazia elementos incomuns da ficção científica. Também destacou a atuação de Stewart nas suas versões do futuro e do passado. Nogueira elogiou bastante a qualidade dos cenários, figurinos, efeitos visuais e maquiagens. No geral, ele achou que o episódio "realiza com perfeição suas múltiplas missões, seja se conectando com o piloto 'Encounter at Farpoint' de forma a estabelecer um arco que se estende por toda a série, seja trazendo o que de melhor a ficção científica pode proporcionar, ou fazendo uma delicada e comovente exploração dos personagens".[1]

"All Good Things..." foi indicado a quatro Prêmios Emmy do Primetime, vencendo um. Dan Curry, David Stipes, Michael Backauskas, Scott Rader, Adam Howard e Erik Nash venceram na categoria de Melhor Realização Individual em Efeitos Visuais Especiais.[30] As outras indicações foram para Dennis McCarthy na categoria de Melhor Realização Individual em Composição Musical para uma Série (Trilha Dramática);[31] Daryl Baskin, David Ramirez e John Farrell em Melhor Realização Individual em Edição para uma Série – Produção de Câmera Única;[32] e Robert Blackman e Abram Waterhouse em Melhor Realização Individual em Desenho de Figurinos para uma Série.[33]

Braga, Moore e Kolbe venceram Prêmio Hugo de Melhor Apresentação Dramática por "All Good Things...".[34] Foi o segundo episódio de The Next Generation a ganhar o prêmio, depois de "The Inner Light" da quinta temporada.[18] Star Trek: The Original Series já tinha vencido antes por "The Menagerie" e "The City on the Edge of Forever".[35] A franquia Star Trek só voltaria a vencer esse prêmio outra vez em 2025 com "The New Next Generation", o episódio final de Star Trek: Lower Decks.[36]

Mídia caseira

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"All Good Things..." foi lançado no formato LaserDisc nos Estados Unidos em 2 de abril de 1996,[37] no Reino Unido em 7 de julho de 1997[38] e no Japão em 9 de outubro de 1998 como parte da coleção da segunda metade da sétima temporada.[39] Foi lançado pela primeira vez DVD nos Estados Unidos em 31 de dezembro de 2002 como parte da coleção da sétima temporada.[40] Foi depois relançado em DVD nas compilações Star Trek: The Next Generation – The Complete TV Movies em 6 de outubro de 2003,[41] Star Trek: Fan Collective – Time Travel em 4 de abril de 2006[42] e Star Trek: Fan Collective – Q em 6 de junho de 2006.[43] Foi remasterizado e lançado em Blu-ray nos Estados Unidos em 2 de dezembro de 2014 na coleção da sétima temporada.[44] Também foi lançado no mesmo dia em uma edição individual que tinha como extras propagandas do episódio, um documentário de bastidor, cenas deletadas e uma faixa de comentários em áudio com Braga, Moore e Roger Lay Jr., este último produtor da remasterização.[45]

Referências

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  4. Reeves-Stevens & Reeves-Stevens 1998, pp. 196, 198.
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  15. a b Block & Erdmann 2012, p. 355.
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Bibliografia

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  • Ayers, Jeff (2006). Voyages of Imagination: The Star Trek Fiction Companion. Nova Iorque: Pocket Books. ISBN 978-1-416-50349-1 
  • Block, Paula; Erdmann, Terry (2012). Star Trek: The Next Generation 365. Nova Iorque: Abrams. ISBN 978-1-4197-0429-1 
  • Gross, Edward; Altman, Mark A. (1995). Captains' Logs: The Unauthorized Complete Trek Voyages. Boston & Nova Iorque: Little Brown & Co. ISBN 978-0-3163-2957-6 
  • Nemecek, Larry (2003). Star Trek: The Next Generation Companion 3ª ed. Nova Iorque: Pocket Books. ISBN 0-7434-5798-6 
  • Reeves-Stevens, Judith; Reeves-Stevens, Garfield (1998). Star Trek: The Next Generation – The Continuing Mission 2ª ed. Nova Iorque: Pocket Books. ISBN 978-0-67102-559-5 

Ligações externas

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